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Projeto Cerrado otimiza operação florestal em Ribas do Rio Pardo

Por Revista Oe em 04/10/2022 às 18:09:47

A Suzano, maior exportadora de celulose do mundo, está promovendo uma agenda sustentável ampliada em MS. Suas plantações, cultivadas em associação com florestas nativas, serão processadas com novas tecnologias na produção de celulose. Em linha com o lema de "renovar a vida a partir da árvore", a construção da nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, MS, reflete a evolução da companhia em inovação e sustentabilidade, buscando alto nível de eficiência nas operações da nova fábrica.

Essa eficiência começa pela escolha do município para receber o empreendimento. A localização possibilita que a distância média estrutural das florestas para abastecimento da nova fábrica seja de aproximadamente 60 km, a mais competitiva do setor.

Associado a isso, cerca de 50% da logística florestal vai ser realizada por hexatrem, composição de veículos off road que não circula em rodovias. A localização e a logística contribuem diretamente para menor emissão de CO 2 /m³ e consumo reduzido de combustíveis no transporte de madeira. Outro diferencial consiste na gaseificação da biomassa para substituir o combustível fóssil nos fornos de cal, um novo marco da empresa em ecoeficiência.

A produção de energia pela nova fábrica se traduz em autossuficiência com relação ao próprio consumo e na geração de 180 megawatts médios em excedente, o suficiente para abastecer uma cidade de 2,3 milhões de habitantes. O processo de produção de energia na nova fábrica, que será limpa e renovável, vai ocorrer na Caldeira de Força e Recuperação a partir de três turbogeradores que consome 120 ton/h de biomassa.

Como funcionará sua logística

Segundo o diretor de engenharia da Suzano, Maurício Miranda, a madeira será transportada pelo modal rodoviário desde as florestas até a unidade fabril, sem passar por rodovias. Grande parte deste transporte, cerca de 50%, será feita por meio de hexatrens, modal competitivo desenvolvido a partir de tecnologia já utilizada em outras unidades da Suzano, incluindo a operação em Três Lagoas (MS).

A operação do hexatrem Volvo acopla seis semirreboques, com quase 54 metros de extensão, que vai trafegar em estradas dentro das propriedades da empresa. Com esse novo modelo de movimentação, a companhia ganhou produtividade no transporte de madeira que abastece a Unidade Mucuri e garantiu mais segurança no trânsito ao reduzir o número de veículos trafegando nas rodovias da região.

Inicialmente, serão 14 hexatrens em operação na Bahia e 6 superpentas. Com capacidade para até 200 toneladas de toras de eucalipto, o novo sistema reduz em média 72 viagens por dia de tritens nas vias da região e também alcança ganhos sob o aspecto da sustentabilidade, diminuindo a emissão de cerca de 2.798 t/ano de CO2.

O projeto off-road (fora da estrada) começou a ser desenvolvido em 2019 na Bahia e soma um total de R$ 44 milhões em investimentos. Para a operação, já foi construído um túnel que interliga as áreas restritas de plantio de eucalipto entre o município de Mucuri e a fábrica. A construção de outro túnel, que vai atravessar a BR-418, também já foi iniciada.

Toda a frota é própria da Suzano e será operada por transportadores da região, que foram devidamente capacitados. Esse sistema logístico foi idealizado pela empresa e é inédito no Brasil. A estratégia teve início em Três Lagoas (MS) e a Bahia é a segunda regional da companhia a implementar a operação, possuindo maior capacidade de carga. Com a nova estratégia, a Suzano prevê reduzir 30% de carga nas rodovias locais, deslocando o volume de madeira que circula nas estradas para as áreas internas da companhia.

Para o abastecimento da nova fábrica em Ribas do Rio Pardo, MS, serão necessários aproximadamente 250 mil hectares de florestas plantadas em áreas próprias, de arrendamento e parcerias, além da compra de madeira de terceiros futuramente. A companhia já possui cerca de 85% da necessidade de madeira para os primeiros anos de operação e avança neste momento na definição do modelo estrutural da nova base florestal. A atividade é realizada por colaboradores próprios e terceiros.

Infraestrutura em fase final

As obras de infraestrutura necessárias para a construção da fábrica em Ribas do Rio Pardo começaram em maio de 2021 e incluem a terraplenagem, sistemas de drenagem, arruamento, pavimentação, estações provisórias de tratamento de água e efluentes, além dos prédios que estão sendo utilizados pelos trabalhadores do projeto. Atualmente, os trabalhos estão em processo de finalização geral, com previsão de conclusão até o fim deste ano.

Empresas contratadas para as obras de infraestrutura

. Civil Geral (Terraplenagem, Underground, Arruamento e Pavimentação): Tucumann

. Civil (Aterro Orgânico e Lagoas): Lopes Engenharia

. Edificações Temporárias: Fortes Engenharia

. Eletrificação: Luzville Engenharia

Depois que a madeira for colhida no campo e transportada até a unidade fabril, ela será levada para o pátio de madeiras e passa pelo descascador, caso tenha casca. Na sequência, as toras passam pelo picador, onde serão transformadas em pequenos pedaços chamados cavacos. Em seguida, na peneira, serão padronizados quanto ao tamanho. Os cavacos prontos serão levados para uma pilha e, depois, para uma esteira e a linha de fibras.

Na linha de fibras dá-se início ao processo de cozimento da madeira, para que chegue à polpa da celulose. Por conter água, o produto vai passar pela secagem, onde a parte sólida será retirada em folhas e cortadas no tamanho de fardos para a exportação. Os fardos, por sua vez, serão organizados em units, que, no caso da unidade de Três Lagoas, seguem por transporte rodoviário até o terminal intermodal da Suzano em Aparecida do Taboado (MS), de onde partem por via ferroviária até o Porto de Santos.

O gerenciamento do projeto é realizado de maneira mista e com algumas empresas parceiras. O grupo tem uma equipe mobilizada da própria Suzano, além de empresas gerenciadoras terceirizadas como a Timenow (gestão das plantas industriais), Poyry (gestão do BOP), Maffer (Gestão de Segurança), Meta (gestão de facilities e organização) e IMTEP (Gestão da Saúde).

"As dificuldades de montagem são similares aos demais projetos de fabricação de celulose executados no Brasil e no mundo, com o uso de guindastes de grande porte e pórticos", comentou Miranda.

Fonte: Revista Oe

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